Moçambique vai receber aproximadamente 6,8 milhões de doses de vacina oral contra a cólera, numa iniciativa destinada a reforçar a prevenção e o controlo da doença no país. O anúncio foi feito em maio de 2026, durante a 79.ª Assembleia Mundial da Saúde, em Genebra.
A medida surge num momento em que a cólera continua a representar um importante problema de saúde pública em Moçambique. As autoridades pretendem utilizar a vacinação como uma das ferramentas para reduzir a transmissão e avançar no objetivo de eliminar a cólera como problema de saúde pública até 2030.
Por que são necessárias milhões de doses?
A cólera é uma doença causada pela bactéria Vibrio cholerae, geralmente transmitida através do consumo de água ou alimentos contaminados. A doença pode provocar diarreia aquosa intensa e vómitos, levando rapidamente à perda de grandes quantidades de água e sais minerais.
Em comunidades onde o acesso à água potável, saneamento e higiene é limitado, a bactéria pode espalhar-se rapidamente. As inundações também podem aumentar o risco ao contaminar fontes de água e danificar infraestruturas sanitárias. Por esse motivo, a vacinação é utilizada como uma ferramenta adicional de proteção, especialmente em áreas consideradas de maior risco.
A vacina elimina completamente o risco?
Não. A vacinação contra a cólera é uma medida importante, mas não substitui a água segura, o saneamento e a higiene. A Organização Mundial da Saúde recomenda que as vacinas orais contra a cólera sejam utilizadas juntamente com outras medidas de controlo. Em fevereiro de 2026, a OMS informou que Moçambique foi o primeiro país a retomar a vacinação preventiva contra a cólera depois de uma interrupção relacionada com a escassez mundial de vacinas. Naquela primeira distribuição preventiva, 3,6 milhões de doses já tinham sido entregues a Moçambique.
Assim, a chegada das novas doses deve ser entendida como parte de uma estratégia mais ampla e não como uma solução isolada.
Quem poderá beneficiar da vacinação?
A distribuição das vacinas depende da estratégia definida pelas autoridades de saúde e da situação epidemiológica de cada região. A prioridade pode ser dada a comunidades com maior risco de transmissão, zonas frequentemente afetadas por surtos e populações vulneráveis.
A vacinação oral pode ser particularmente importante em situações de emergência, incluindo regiões onde ocorreram inundações, deslocamentos populacionais ou interrupções no abastecimento de água segura. Além da vacinação, as comunidades precisam continuar a ter acesso a água potável, instalações sanitárias adequadas e informação sobre higiene e prevenção.
Um passo em direção à eliminação da cólera
O objetivo anunciado pelas autoridades é ambicioso: eliminar a cólera como problema de saúde pública em Moçambique até 2030. Para alcançar esse objetivo, será necessário combinar vacinação, vigilância epidemiológica, diagnóstico rápido, tratamento adequado, melhoria do saneamento e expansão do acesso à água segura.
As 6,8 milhões de doses representam, portanto, um reforço importante na resposta à doença, mas o sucesso dependerá também da capacidade de levar as vacinas às populações que mais necessitam delas e de manter as medidas de prevenção depois das campanhas.
A experiência recente demonstra que a cólera pode reaparecer quando as condições sanitárias se deterioram. Por isso, a vacinação deve caminhar lado a lado com investimentos duradouros em água, saneamento e higiene para reduzir o risco de novos surtos em Moçambique.
