Sarampo em Moçambique: novos casos e risco para crianças

O sarampo continua a preocupar em Moçambique

O sarampo continua a representar um importante desafio de saúde pública em Moçambique, sobretudo para as crianças que não receberam a vacinação recomendada. Dados da UNICEF mostram que, em janeiro de 2026, o número acumulado de casos de sarampo chegou a 617, depois de um aumento de 8% durante o mês. Naquele período, não tinham sido registadas mortes relacionadas com o sarampo.

A situação é particularmente preocupante porque o país já tinha enfrentado um surto de sarampo durante 2025. Até ao final daquele ano, tinham sido registados 573 casos acumulados e uma morte, com seis províncias afetadas. O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa e pode espalhar-se rapidamente quando existem comunidades com baixa cobertura vacinal.

Por que as crianças estão entre as mais vulneráveis?

O sarampo pode atingir pessoas de qualquer idade, mas as crianças pequenas estão entre as mais vulneráveis às complicações. A doença começa frequentemente com febre, tosse, corrimento nasal e olhos vermelhos. Depois de alguns dias, surge geralmente uma erupção na pele que começa no rosto e pode espalhar-se pelo corpo.

Embora muitas crianças recuperem, o sarampo pode provocar complicações graves, incluindo pneumonia, desidratação, infeções do ouvido, inflamação do cérebro e problemas nutricionais. Crianças desnutridas ou com o sistema imunitário enfraquecido apresentam maior risco de desenvolver formas graves. Por essa razão, a identificação precoce dos sintomas e a procura de assistência médica são importantes, especialmente durante períodos em que existem casos na comunidade.

Vacinação é uma das principais formas de prevenção

A vacinação é a principal ferramenta para prevenir o sarampo. Quando uma grande proporção da população está protegida, a circulação do vírus diminui e também se reduz a possibilidade de transmissão para bebés e outras pessoas que ainda não podem ou não conseguiram ser vacinadas.

Moçambique já realizou campanhas de vacinação contra o sarampo e a rubéola. Em 2024, por exemplo, uma campanha em Cabo Delgado alcançou mais de 1,5 milhão de crianças depois de um surto que registou mais de 340 casos confirmados em quatro distritos. A vacinação de rotina continua, portanto, a ser essencial para evitar que novos grupos de crianças fiquem suscetíveis ao vírus.

As cheias podem dificultar a resposta

A situação epidemiológica ocorre num contexto em que Moçambique também enfrentou graves inundações no início de 2026. As cheias afetaram centenas de milhares de pessoas e danificaram infraestruturas, incluindo unidades de saúde. A OMS alertou que os desastres naturais podem interromper serviços essenciais e dificultar o acesso da população aos cuidados de saúde.

Para as famílias deslocadas, a interrupção da vacinação de rotina pode aumentar o número de crianças que permanecem sem proteção. O problema pode ser ainda maior em comunidades remotas ou de difícil acesso. Por isso, manter os serviços de vacinação e a vigilância epidemiológica durante emergências é fundamental para evitar novos surtos.

O que os pais devem observar?

Os principais sinais de sarampo incluem febre, tosse, corrimento nasal, olhos vermelhos e manchas ou erupções na pele. Quando uma criança apresenta esses sintomas, principalmente se houve contacto com uma pessoa com sarampo ou se vive numa região com casos confirmados, deve ser avaliada por um profissional de saúde. Os pais e responsáveis também devem verificar se as crianças receberam as vacinas previstas no calendário nacional e procurar uma unidade sanitária quando houver dúvidas sobre a vacinação.

O reaparecimento de casos demonstra que o sarampo continua a exigir vigilância em Moçambique. A manutenção da vacinação, a identificação rápida dos casos e o acesso oportuno aos cuidados de saúde são fundamentais para proteger as crianças e impedir que pequenos focos se transformem em surtos maiores.

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